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Entendendo o universo tecnológico das pessoas com deficiência visual



Muitas pessoas ainda estranham ao perceberem um portador de deficiência visual curtir, comentar e realizar publicações nas redes sociais, ouvirem músicas nas plataformas digitais e trabalhem como influenciadores digitais. Isso é a tecnologia trabalhando em favor da humanidade e contribuindo com a isenção das pessoas na sociedade virtual. Nesta matéria vamos entender um pouco sobre esse universo.

Acontece que para a surpresa de muitos, existe uma ferramenta valiosa nos Smartphones chamada TalkBack, capaz de descrever todo o conteúdo exposto na tela do aparelho, tornando a vida virtual do portador de baixa visão ou cego total acessível.

Essa ferramenta e outras são indispensáveis, embora necessitem de aprimoramento. É como se os dedos dos usuários fossem os seus olhos, ele vai deslizando a tela do dispositivo enquanto uma voz vai entregando as informações do que está sendo visto, ou melhor, clicado. E com detalhe, por exemplo, em uma foto publicada nas redes sociais, a voz indica quantas pessoas há, qual é a posição (sentado, deitado ou em pé) e a cor da roupa, informações valiosas para se criar uma imagem imaginária na cabeça da pessoa que está tentando interagir nas redes.

A tecnologia para os portadores de deficiência visual (PDV) alcança também as ruas. É possível encontra-la em semáforos, por exemplo, em que uma voz avisa qual é a cor que o semáforo apresenta. Nos caixas eletrônicos, que com a ajuda do fone, é possível ouvir a descrição da tela e realizar transações como saque e transferência bancária.

Os PDVs enfrentam muitos obstáculos ao longo de suas vidas, além do preconceito da sociedade, ainda precisam lidar com a falta de informação, é o que conta Rafael Aguiar. Graduado em música, o jovem não permitiu que a deficiência visual o limitasse, acompanhado pelo cão guia, o Titã, Rafael conta com humor em suas palestras uma situação inusitada. “Certa vez eu estava usando o caixa eletrônico com o fone e as pessoas que estavam na fila começaram a ficar incomodadas, eles falavam entre si ‘ porque será que ele está ouvindo músico no banco?’, só me restou rir da situação, pois as pessoas ainda não possuem muita informação nesse sentido aqui no Brasil” , conta Rafael.

O produtor música e professor de bateria Rogério Pinheiro, que durante seus estudos não pôde contar com as tecnologias para facilitar seu cotidiano, pois se formou em 1994, no Conservatório de Música Drum Institute, em São Paulo, no Brasil, época em que os celulares e computadores nem sonhavam em oferecer acessibilidade para portadores de deficiência visual, conta que foi um grande desafio, “ No primeiro ensino, tudo foi muito difícil, as escolas com seus professores não estavam preparados para receberem uma criança como eu. Com o passar dos anos eu me tornei adolescente e a primeira vez que eu ouvi a banda Queen tocando já soube que o que eu gostaria de fazer era tocar bateria”, conta o artista.

“Nos dias atuais eu consigo trabalhar criando conteúdos para a internet, eu mesmo crio os meus vídeos e os público em plataformas como YouTube, Instagram e Facebook. Eu dou dicas de como tocar bateria e consigo interagir com os meus alunos virtuais, isso é muito bom, espero que as tecnologias avancem para que as gerações futuras de pessoas com deficiência visual possam ter uma vida menos dura em relação a que eu tive”, disse Rogerio Pinheiro.

De fato as tecnologias de acessibilidade no que tange os celulares, tablets e computadores precisam melhorar, ainda que já estejam ajudando as pessoas que não enxergam, frequentemente elas apresentam erros, a voz as vezes atrasa ou simplesmente para de funcionar. Sem contar que as informações concedidas pelo Talk Back, um dispositivo leitor de tela para celulares, são superficiais. As empresas de tecnologia precisam melhorar as ferramentas, pois isso pode impactar positivamente na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Para compreender melhor como esse dispositivo funciona e mergulhar no universo de uma pessoa com deficiência visual é possível que quem enxerga faça um exercício simples. Ativando a função Talck Back em seu telefone e fechando os olhos as pessoas conseguirão entender como é a vida virtual de um deficiente visual. Esse tipo de atividade se chama empatia e devemos praticar todos os dias, não apenas virtualmente, como presencialmente.

As tecnologias assistidas não se limitam ao Talk Back, embora ele seja o mais acessível para os cegos, pois é gratuito, além de poder ser usado offline.

Já o OrCam MyEye, que é pago oferece um dispositivo de inteligência e visão artificial, que promete permitir o acesso fácil, intuitivo e instantâneo à informação disponível em tempo real e funciona totalmente offline. É leve e discreto e deve ser acoplado às hastes de um óculos comum. Ou seja, é uma tecnologia que embora esteja fora do universo virtual, é capaz de facilitar a vida física das pessoas que precisam.

Além da vida eletrônica, os PDV praticam outras atividades, o que precisa ser normalizado na nossa sociedade. Vemos isso através a Associação dos Deficientes Visuais de Belo Horizobte, em Minas Gerais, que oferece atividades físicas como atletismo, futebol de cinco, judô, xadrez, entre outras.


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